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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Desporto adaptado nos nomeados para a 17ª Gala do Desporto


Fonte: ANDDI
Até dia 15 de Novembro é possível eleger os desportistas que mais se notabilizaram na passada época. O desporto adaptado está presente em todas as categorias, sendo de destacar a nomeação de Lenine Cunha, medalha de bronze no salto em comprimentos nos Jogos Paraolímpicos, para “Atleta Masculino do Ano”.

Os vencedores vão ser conhecidos na 17ª Gala do Desporto, no dia 15 de Novembro, no Casino Estoril.

A votação do público pode ser feita neste link http://galacdp.sapo.pt/votacao/ e terá um peso de 60% na distinção, enquanto os restantes 40% estão na mão dos que marcarão  presença no Estoril.

Eis os nomeados:


Atleta feminino

Inês Fernandes – atletismo - deficiência intelectual
Jéssica Augusto - Atletismo
Luciana Diniz - Hipismo
Telma Monteiro - Judo
Teresa Portela - Canoagem

Atleta masculino

Cristiano Ronaldo - futebol
Fernando Pimenta - canoagem
Lenine Cunha – atletismo – deficiência intelectual
Marcos Freitas – ténis de mesa
Rui Costa – ciclismo

Jovem promessa

Diogo Lopes – canoagem
Emanuel Gonçalves – natação – deficiência motora
Miguel Oliveira - motociclismo
Patrícia Mamona – atletismo
Rui Silva – andebol

Treinador

António Jourdan – triatlo
Luís Marta – boccia
Markus Joanes Emke – Remo
Paulo Bento – futebol
Ryszard Hoppe – canoagem

Equipa

Double Scull Ligeiro – remo
K2 1000 m – canoagem
Pares BC3 – boccia – paralisia cerebral
Selecção Nacional A – futebol
Selecção Nacional Seniores Masculinos – Ténis de Mesa

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Entrevista com o nadador Emanuel Gonçalves: À terceira é de vez?


Perfil

Nome: Emanuel Luís Abreu Gonçalves
Idade: 23
Clubes que representou: Clube Sport Marítimo, Clube Naval do Funchal, Clube Desportivo Nacional
Ano de iniciação: 1995
Patologia: síndrome de Guillain-Barré
Ídolos: Michael Phelps e Ian Thorpe
Provas predilectas:

Das que fazem parte do calendário Paralímpico: 100 metros Mariposa; 200 metros Estilos; 400 metros Livres.
Fora do calendário Paralímpico: 800 metros Livres, 1500m Livres, 200m Mariposa, 400m Estilos, 5000 metros Águas Abertas. 



Emanuel Gonçalves e a sorte andam desencontrados. Ex-recordista mundial dos 1500 m livres, vice-campeão europeu e vice-campeão mundial dos 5000 m águas abertas, o jovem nadador madeirense, de 23 anos, acalentava a participação nos Jogos Paraolímpicos de Londres depois de ter alcançado mínimos A nos 400 m livres e 200 m estilos, e mínimos B nos 100 m mariposa, na classe S10 (ver explicação abaixo), tendo-se sagrado campeão nacional nas três provas.


Contudo, o sonho paraolímpico foi novamente adiado - já que em 2008 Emanuel também tinha atingido os mínimos para disputar os Jogos de Pequim - devido à escassez de vagas atribuídas pelo Comité Paraolímpico Internacional à natação portuguesa. “Portugal apenas recebeu 3 vagas do IPC, e somos 6 rapazes com mínimos, logo 3 participariam nos Jogos e outros 3 ficariam de fora. Os meus colegas que estariam ligeiramente melhor classificados que eu prosseguiram a sua caminhada até Londres”, explica.

O nadador acredita que outras soluções podiam ter sido idealizadas, nomeadamente no que respeita à concessão dos Wildcards, “atribuídos a 18 atletas que supostamente nunca teriam tido hipóteses de participar nos Jogos Paraolímpicos, ou por falta de vagas ou por serem países menos representados... Mas, na verdade, o que aconteceu foi que esses mesmos Wildcards foram atribuídos a atletas que já tinham participado em várias edições de Jogos”.

Nem por isso se resignou a acompanhar pela televisão a elite do desporto mundial e apanhou a “boleia” dos companheiros para Londres. “Estar lá não foi fácil, doeu um pouco viver das bancadas o que poderia e deveria estar a fazer naquele momento. No entanto, deixou-me muito orgulhoso serem os meus grandes amigos a competir e levar a nossa bandeira bem alto nestes enormes palcos desportivos”. Foram eles Simone Fragoso, David Grachat, João Martins e Adriano Nascimento.

“Quando era miúdo ganhei o “bichinho” pelas piscinas”

Ainda benjamim, as prestações dos ídolos Michael Phelps, Ian Thorpe & Ca embeveceram o futuro atleta e semearam o desejo de um dia representar as cores nacionais na paraolímpiada. “Quando era miúdo, adorava ver os Jogos Olímpicos, as provas de natação despertavam-me um grande interesse e desde então ganhei o “bichinho” pelas piscinas e o sonho, pelo qual tenho trabalhado tanto, de participar nos Jogos Paraolímpicos”, conta.


E se de início a natação desempenhava “apenas” um papel importante na reabilitação de Emanuel Gonçalves, a quem foi diagnosticado aos 6 anos a síndrome de Guillain-Barré, hoje as piscinas ocupam-lhe 5 horas por dia, numa rotina que contempla também as aulas do curso de Educação Física e Desporto, na Universidade da Madeira. “Treino todos os dias da semana, 2h de manhã e 2h à tarde na piscina, mais uma hora de ginásio. O domingo é o único dia da semana em que posso descansar tranquilamente, exceptuando quando tenho provas”.

Emanuel Gonçalves lamenta que o desporto adaptado esteja “inserido num contexto muito ‘esquecido’ na nossa sociedade” e aponta o dedo à comunicação social que, no seu entender, dispensa poucas linhas ao percurso dos atletas com deficiência. “Abrimos um diário durante os Jogos Paraolímpicos em Londres, onde os portugueses estavam a ter brilhantes resultados, e apenas aparecem notícias referentes às recentes transferências no mundo do futebol, aos milhões da crise, à corrupção, às vidas dos jogadores famosos…”, critica.

Virando a página, o objectivo Rio de Janeiro está já bem presente no pensamento do atleta. “Tudo farei para lá estar, prometo que tudo o que depender de mim, será realizado!”. Palavra de campeão.


S10 – designa o tipo de deficiência do atleta. Na natação, as classes de 1 a 10 correspondem a uma deficiência motora que é tanto mais grave quanto menor for o número.