Escrevo-vos marca o relógio 04:36 da madrugada. Não por "complexo de artista" ou insónia contumaz, mas porque o palato da mente não escolhe hora ou lugar. Dei por mim a pensar que o Nuno Alves, a Graça Fernandes, o Gabriel Macchi, o Joaquim Machado ou o Lenine Cunha não mereceram destaque nos noticiários. Nem sequer assisti aos noticiários dos respectivos dias em que as medalhas foram conquistadas, mas sei-o, porque Portugal é assim. (Fi-lo posteriormente por descargo de consciência)
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Opinião: Ainda há atletas de primeira e atletas de segunda, episódio.....
sábado, 2 de março de 2013
Andebol em cadeira de rodas: O que nasce torto...
Esclarecimento prévio: sou a favor - naturalmente - da promoção de novas modalidades adaptadas, que ampliem o leque de opções das pessoas com deficiência que acalentam a prática desportiva, seja com que intuito for: recreativo ou competitivo. O andebol em cadeira de rodas não é excepção e acredito piamente que reúne, na estética e na tradição, condições para se enraizar no nosso país. Mas não assim.
O facto de a vontade em arrancar com a modalidade emanar de uma federação com pergaminhos no desporto nacional convencional, como a Federação de Andebol de Portugal, constituía um bom prenúncio. Cedo, o negrume assolou a iniciativa. De nada valeram os erros do passado, e do presente, noutros desportos adaptados, como o "esquecimento" das políticas de captação ou a formação intermitente, ou inexistente, de treinadores, árbitros e classificadores.
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Opinião
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Gala do Desporto: ainda há desportistas de primeira e de segunda
À medida que as
minhas opiniões se tornam públicas, temo que transpareça uma imagem de
intransigência face aos eventos e iniciativas, (supostos) fomentadores da
discussão e visibilidade do desporto para pessoas com deficiência. Não raras vezes em
conversas informais confidencio a amigos, com e sem deficiência, o estorcegão
que é para mim muitas das aparições mediáticas das pessoas com deficiência e o
quanto as próprias se rebaixam perante a sociedade ao aceitarem um tratamento
complacente, que apenas perpetua o preconceito.
Também não raras vezes
rebatem-me, relativizando a verdade dos meus argumentos, preferindo realçar as
benesses (?) do estado social concedidas às pessoas com deficiência e o
(tímido) progresso da mentalidade. Concordo, mas rejeito. É paradoxal acreditar
que a evolução é uma meta. O desenvolvimento constante só é possível
despertando a costela revolucionária que há em nós.
Por isso, hoje,
quando me deparei com a notícia de que entre os nomeados para a 17ª Gala do
Desporto constavam atletas e técnicos do desporto adaptado, ao invés de
aplaudir – porque o merece – quem influiu nessa decisão, detive-me em 2
detalhes que resgataram a minha faceta de velho rezingão.
1º
Acedendo ao link
da votação ( http://galacdp.sapo.pt/votacao/
), salta desde logo à vista um pormenor deplorável, na descrição de cada atleta
nomeado. Na categoria de “atleta masculino”, abaixo do nome de Cristiano
Ronaldo, surge a indicação da modalidade que lhe corresponde, neste caso o
futebol.
O mesmo sucede com outros 3 finalistas, mas com Lenny Cunha, saltador
português medalhado nos Paraolímpicos de Londres, lê-se na informação infra tão
somente “Fed.Desp.Pessoas com Deficiência”, escusando-se a entidade
organizadora a referir a modalidade do atleta. Situação semelhante estende-se
às categorias de “atleta feminino”, “treinador” e “jovem promessa”.
Portanto, a Confederação do Desporto de Portugal sugere, presumivelmente de forma involuntária, que o desporto adaptado é uma massa
amorfa, um nicho diletante, onde nem Lenny Cunha, um vulto do atletismo nacional com 135 medalhas internacionais aos 29 anos, é digno de ser
plenamente conhecido pelo público português, que precisa de boa informação
desportiva como de pão para a boca.
2º
Os critérios de
votação assentam num sentido de justiça no mínimo duvidoso. O parecer do
público, através da votação online, tem um peso de 60 % nos resultados finais,
cabendo aos espectadores da Gala do Desporto, no Casino Estoril, dia 15 de
Novembro, a restante %.
Ora, é difícil
conceber um cenário igualitário entre os finalistas atendendo à discrepância
berrante de popularidade e conhecimento de Lenny Cunha face a Cristiano
Ronaldo e respectivas modalidades. E quem diz Lenny Cunha, diz o canoísta português Fernando Pimenta,
medalha de prata nos Jogos Olímpicos, ou, na categoria de "jovem promessa" o nadador Emanuel Gonçalves, da área
da deficiência motora, em relação à saltadora Patrícia Mamona. Dispensam-se
exemplos, contudo deixo-vos este dado comparativo do domínio tragicómico entre
CR7 e Lenny Cunha:
Com um
regulamento tão grotesco, e o fosso entre sociedade civil e desporto adaptado
ampliado, restam aos atletas nomeados os votos misericordiosos – prescindíveis
-; de amigos e escassos seguidores/entusiastas. Pormaiores.
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