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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Laureus Awards 2013: os nomeados na categoria de paraatleta do ano, em detalhe


Londres 2012 teve toque divino. Aclamou uns como lendas, serviu de palco de sonho para outros tantos debutantes, deixou incrédulos alguns nomes firmados, naqueles que foram "os Jogos". A excelência paralímpica arvorou-se na casa que a viu nascer, deixando um legado que se espera perene para o desporto adaptado. 

Nos Laureus Awards 2013, os "óscares do desporto", Alan Fonteles Oliveira, Patrick Anderson, Daniel Dias, David Weir, Alex Zanardi e Johanna Benson, são os contemplados com a nomeação de "Atleta com deficiência" do ano de 2012. A Gala está marcada para dia 11 de Março de 2013, no Rio de Janeiro.

Conhece um pouco melhor a história e as conquistas dos protagonistas que Londres 2012 fez questão de eternizar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Entrevista com o nadador Emanuel Gonçalves: À terceira é de vez?


Perfil

Nome: Emanuel Luís Abreu Gonçalves
Idade: 23
Clubes que representou: Clube Sport Marítimo, Clube Naval do Funchal, Clube Desportivo Nacional
Ano de iniciação: 1995
Patologia: síndrome de Guillain-Barré
Ídolos: Michael Phelps e Ian Thorpe
Provas predilectas:

Das que fazem parte do calendário Paralímpico: 100 metros Mariposa; 200 metros Estilos; 400 metros Livres.
Fora do calendário Paralímpico: 800 metros Livres, 1500m Livres, 200m Mariposa, 400m Estilos, 5000 metros Águas Abertas. 



Emanuel Gonçalves e a sorte andam desencontrados. Ex-recordista mundial dos 1500 m livres, vice-campeão europeu e vice-campeão mundial dos 5000 m águas abertas, o jovem nadador madeirense, de 23 anos, acalentava a participação nos Jogos Paraolímpicos de Londres depois de ter alcançado mínimos A nos 400 m livres e 200 m estilos, e mínimos B nos 100 m mariposa, na classe S10 (ver explicação abaixo), tendo-se sagrado campeão nacional nas três provas.


Contudo, o sonho paraolímpico foi novamente adiado - já que em 2008 Emanuel também tinha atingido os mínimos para disputar os Jogos de Pequim - devido à escassez de vagas atribuídas pelo Comité Paraolímpico Internacional à natação portuguesa. “Portugal apenas recebeu 3 vagas do IPC, e somos 6 rapazes com mínimos, logo 3 participariam nos Jogos e outros 3 ficariam de fora. Os meus colegas que estariam ligeiramente melhor classificados que eu prosseguiram a sua caminhada até Londres”, explica.

O nadador acredita que outras soluções podiam ter sido idealizadas, nomeadamente no que respeita à concessão dos Wildcards, “atribuídos a 18 atletas que supostamente nunca teriam tido hipóteses de participar nos Jogos Paraolímpicos, ou por falta de vagas ou por serem países menos representados... Mas, na verdade, o que aconteceu foi que esses mesmos Wildcards foram atribuídos a atletas que já tinham participado em várias edições de Jogos”.

Nem por isso se resignou a acompanhar pela televisão a elite do desporto mundial e apanhou a “boleia” dos companheiros para Londres. “Estar lá não foi fácil, doeu um pouco viver das bancadas o que poderia e deveria estar a fazer naquele momento. No entanto, deixou-me muito orgulhoso serem os meus grandes amigos a competir e levar a nossa bandeira bem alto nestes enormes palcos desportivos”. Foram eles Simone Fragoso, David Grachat, João Martins e Adriano Nascimento.

“Quando era miúdo ganhei o “bichinho” pelas piscinas”

Ainda benjamim, as prestações dos ídolos Michael Phelps, Ian Thorpe & Ca embeveceram o futuro atleta e semearam o desejo de um dia representar as cores nacionais na paraolímpiada. “Quando era miúdo, adorava ver os Jogos Olímpicos, as provas de natação despertavam-me um grande interesse e desde então ganhei o “bichinho” pelas piscinas e o sonho, pelo qual tenho trabalhado tanto, de participar nos Jogos Paraolímpicos”, conta.


E se de início a natação desempenhava “apenas” um papel importante na reabilitação de Emanuel Gonçalves, a quem foi diagnosticado aos 6 anos a síndrome de Guillain-Barré, hoje as piscinas ocupam-lhe 5 horas por dia, numa rotina que contempla também as aulas do curso de Educação Física e Desporto, na Universidade da Madeira. “Treino todos os dias da semana, 2h de manhã e 2h à tarde na piscina, mais uma hora de ginásio. O domingo é o único dia da semana em que posso descansar tranquilamente, exceptuando quando tenho provas”.

Emanuel Gonçalves lamenta que o desporto adaptado esteja “inserido num contexto muito ‘esquecido’ na nossa sociedade” e aponta o dedo à comunicação social que, no seu entender, dispensa poucas linhas ao percurso dos atletas com deficiência. “Abrimos um diário durante os Jogos Paraolímpicos em Londres, onde os portugueses estavam a ter brilhantes resultados, e apenas aparecem notícias referentes às recentes transferências no mundo do futebol, aos milhões da crise, à corrupção, às vidas dos jogadores famosos…”, critica.

Virando a página, o objectivo Rio de Janeiro está já bem presente no pensamento do atleta. “Tudo farei para lá estar, prometo que tudo o que depender de mim, será realizado!”. Palavra de campeão.


S10 – designa o tipo de deficiência do atleta. Na natação, as classes de 1 a 10 correspondem a uma deficiência motora que é tanto mais grave quanto menor for o número. 

sábado, 29 de setembro de 2012

O Desporto Adaptado na 7ª Arte



O desporto para pessoas com deficiência caminha a passos largos para maior reconhecimento na sociedade, sendo os últimos Jogos em Londres prova inequívoca desse impacto.
No cinema, a abordagem deste tema ainda é escassa e as obras realizadas até hoje teimam em cair no esquecimento, raramente transitando para os circuitos de exibição comerciais.

Aqui fica uma compilação de filmes que se distinguiram.

Nota: este post será actualizado periodicamente

The Best of Men

Produzido pela BBC, no âmbito do regresso dos Jogos Paralímpicos à pátria-mãe, “The Best of Men” retrata as origens do desporto adaptado, no hospital de Stoke Mandeville. Ludwig Guttmann, neurologista alemão de ascendência judaica, é forçado a abandonar a Alemanha em 1939, altura em que o regime nazi é cada vez mais impiedoso na aplicação do ideário anti-semita.

Inconformado com o prognóstico de morte, que condenava os lesionados medulares a definhar, Sir Ludwig Guttman expõe ao “Medical Research Council of England” a possibilidade de estes pacientes se reintegrarem na vida activa. Assim nasce a unidade “National Spinal Injuries Centre” associada ao hospital de Stoke Mandeville. A 28 de Julho de 1948, realizam-se os primeiros Stoke Mandeville Games com 16 competidores ingleses, nas modalidades de tiro com arco e lançamento do dardo. A data escolhida não foi um acaso e demonstra o carácter visionário do médico alemão, pois, no mesmo dia, tinham início os Jogos Olímpicos de Londres.

O filme está disponível, na íntegra, no youtube. 

             


B1 – Tenório em Pequim

Com a conquista do ouro em Pequim, António Tenório tornou-se o primeiro judoca a subir ao mais alto lugar do pódio em 4 edições consecutivas dos Jogos Paraolímpicos. “B1 – Tenório em Pequim”, diz a crítica, oferece ao espectador uma visão alternativa, no extremo oposto do relato complacente que costuma pautar as obras cinematográficas que envolvem a temática da deficiência. Privilegia-se o enfoque competitivo, a animosidade entre os atletas e o próprio Tenório enquanto pessoa.

O filme dirigido por Felipe Braga e Eduardo Hunter Moura está disponível para aluguer no vídeoclube online brasileiro “Sunday Tv” por sensivelmente 2 euros.




 

                    


Murderball

O nome é indiciador da dureza do desporto apresentado no documentário: o rugby em cadeira de rodas.  Jogada por atletas com afectação dos membros inferiores e superiores, a modalidade é passada para a tela com mestria pelos realizadores Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro, que não prescindem de chocar os espectadores com os detalhes que rematam a sua impetuosidade.

Nesta obra de culto, a narrativa gira em torno da rivalidade entre as selecções do Canadá e EUA, que ultimam a preparação para os Jogos Paraolímpicos de 2004, mas não se limita à competição. Também os momentos difíceis da reabilitação de jovens que recentemente contraíram a sua lesão e o papel interventivo dos atletas junto destes, levando-os a conhecer o desporto adaptado, merecem destaque e revelam uma sensibilidade extra na abordagem ao tema.

Amplamente galardoado, “Murderball” atingiu a popularidade internacional quando foi nomeado para o óscar de melhor documentário em 2006. Tem ainda a curiosidade de um dos protagonistas do filme, o ex-jogador e treinador dos canadianos Joseph Soares ser um luso-americano.

             


S9 – David Grachat

O documentário/curta-metragem marca a estreia de Felippe Gonçalves, jovem brasileiro licenciado em cinema pela Universidade da Beira Interior, enquanto realizador. “S9 – David Grachat” segue a par e passo o treino, as angústias, as ambições e os dissabores de um dos melhores nadadores paraolímpicos portugueses, tendo já arrebatado o galardão de melhor filme de desporto, no Erasmus Film Fest, e o 2º lugar, no Festival de Cinema Digital de Odemira, na categoria para “Melhor Documentário”.


                     
                     
Sledhead

O documentário acompanha a caminhada da equipa de Sledge Hockey (hóquei no gelo adaptado) do Canadá na perseguição do título mundial. A modalidade é uma das mais populares nos Jogos Paraolímpicos de Inverno, onde está inserida desde 1994. A avaliar pelo trailer, intensidade e rispidez são ingredientes que não faltam, já que cada jogador dispõe de um pequeno trenó, sobre o qual desliza, permitindo alcançar grandes velocidades, além de potenciar o contacto a uma escala que se arrisca superior à que se constata na vertente convencional do desporto.

“Sledhead” esteve em competição no Solstice Film Festival, em Minnesota, EUA, cujo site disponibiliza para visualização mediante pagamento.


             
                    

Carne Trémula

Pungente, cru e imprevisível – ao bom estilo de Almodóvar. “Carne Trémula”, que inaugura a colaboração de Penélope Cruz com o controverso realizador espanhol, gravita numa história em que há traição, ódio e amor; desprovida de moralismos e que a cada segundo insta subtilmente o espectador a fazer um paralelo com a sua vida.

A ligação ao desporto paraolímpico habita no facto de um dos protagonistas, David, interpretado de forma sublime por Javier Bardem, dedicar-se ao basquetebol em cadeira de rodas, surgindo em cena, ainda que por breves instantes, nomes sonantes da modalidade no país vizinho como Antonio Henares e Diego de Paz Pazo – “duplo” do actor e que recentemente brilhou na paraolímpiada de Londres.

             


The Terry Fox Story                                               
























Terry 



30 for 30: Into the Wind

              

As três obras cinematográficas, a última com a curiosidade de ser co-dirigida pelo basquetebolista Steve Nash, relatam a história de Terrance Stanley Fox, atleta e activista na luta contra o cancro. Em 1977, foi diagnosticado a Terry um osteossarcoma (tumor maligno que afecta os ossos), o que implicou a amputação da sua perna direita. O jovem canadiano, um desportista ávido, cedo ingressou numa equipa de basquetebol em cadeira de rodas e começou a participar em maratonas.

A 12 de Abril de 1980, após um programa de treino intensivo, Terry Fox iniciou a Marathon of Hope, onde pretendia percorrer todo o Canadá  com o objectivo de angariar fundos para a pesquisa do cancro. A 1 de Setembro, o atleta viu-se forçado a interromper a jornada, depois de 143 dias e 5373 km. Em Junho de 1981, Terry Fox não resistiu à doença e faleceu aos 22 anos.