terça-feira, 4 de setembro de 2012

Espanha foi presa difícil para os EUA; quartos-de-final femininos jogam-se amanhã


Com a manutenção do 2º lugar do grupo A em mente, a Espanha tinha a árdua tarefa de derrotar os EUA, mas para azar daquela que é a equipa sensação do torneio, os americanos exibiram-se pela primeira vez no expoente das suas capacidades.

Jim Glatch apostou de início em Serio, Trevon Jenifer, Jason Nelms, Waller e Lade para atacar uma posição mais favorável no emparelhamento dos quartos, só que os espanhóis, com a moral em alta pela vitória arrancada frente à Turquia, fizeram finca-pé ao adversário, recusando o papel de outsider. Os primeiros pontos caíram para os EUA, por intermédio do base/extremo Jeremy Lade (10 pts, 4 ressaltos, 4 assistências, 1 roubo de bola), seguindo-se o cesto inaugural dos europeus através de Alejandro Zarzuela, que expunha a falta de altura americana nas zonas próximas do alvo.

Apesar de intenso o começo, seria apenas o prelúdio de um vendaval de basquetebol a dois – Jason Nelms (21 pts, 5 ast e 2 roubos de bola) e Muiño Gamez (15 pts, 3 ressaltos, 2 ast) entenda-se. A coqueluche americana assinou 8 pts no 1º tempo e Gamez, não querendo ficar atrás, disparou três vezes com sucesso, uma delas de 3 pontos, demonstrando que o escopo do seu jogo não é apenas distribuir a bola aos companheiros atiradores.

Com 15-14 favorável aos EUA, o 2º período viu uma Espanha sempre com raça, mas mais falível na concretização, impotente para fugir à pressão alta montada pelos americanos  e a sucumbir às investidas de Joshua Turek (13 pts, 1 ressalto), extremo/poste do Getafe, que apontou 10 pts no período; bem secundado por Nelms, autor de 6 pts.

Ao intervalo, o resultado pintava um retrato justo dos acontecimentos, assinalando 34-24 para os americanos. Aparentemente incapaz de encetar a remontada, os espanhós voltaram a mostrar fibra, como ninguém atrevo-me, e, apesar da tentativa americana em escapulir-se em definitivo, Garcia Moreno (7 pts, 5 ressaltos, 2 ast) Zarzuela (8 pts, 5 ressaltos, 3 ast, 1 roubo de bola) e David Mouriz (7 pts, 4 ast), com um triplo no soar da buzina, impediram que a vantagem americana subisse de modo irregressível – 50-39.

No quarto período, os pupilos de Oscar Trigo mordiscaram a hegemonia americana na partida, através de dois triplos nas primeiras duas posses de bola, por De Paz Pazo (11 pts, 3 ressaltos, 5 ast, 2 roubos de bola) e Muinõ Gamez. O aperto foi sentido pelos americanos e Jim Glatch lançou de novo Nelms e Lade, intocáveis neste conjunto, contendo com êxito a vontade espanhola em levar mais do que orgulho deste encontro. Ainda assim, o parcial saldou-se positivo para os europeus (16-13). No final, vitória dos EUA por 63-55.

Outros jogos

A Grã-Bretanha bateu o Japão (71-55) e foi a última equipa do torneio masculino a apurar-se para os quartos-de-final.  O Canadá derrotou a Colômbia por 68-42 num jogo que nada decidia, nas contas do grupo B, e a Austrália, tal como o Canadá, terminou a 1ª fase sem saber o que é perder, vencendo a Itália por 68-48. Fechada a fase de grupos, eis o alinhamento dos quartos-de-final a serem disputados na quarta-feira:

Alemanha-EUA
Turquia-Grã-Bretanha
Canadá-Espanha
Austrália-Polónia

No quadro feminino, a Grã-Bretanha perdeu diante o Canadá – 50-67 -, enquanto os EUA vergaram a China por  68-65. Os quartos-de-final jogam-se amanhã.

Jogos em destaque no dia 6

Quartos-de-final femininos

Australia-Mexico – 13:00

Holanda-China – 15:15

Alemanha-Grã-Bretanha – 19:00

EUA-Canadá – 21:15

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Austrália autoritária impõe segunda derrota aos EUA; Emparelhamento dos quartos quase decidido

Foto: Flickr/jonanamari

Quarto dia do certame, quatro vitórias para a Austrália. É difícil encontrar adjectivos para descrever a postura dos campeões olímpicos nestes Jogos, sem dúvida no bom caminho na luta pela revalidação do título. Pela frente, os rollers tiveram como adversário os EUA e o maior teste até então às suas competências.

Com Eveson, Norris, Hartnett, Ness e Blair de início, um cinco a que se mantém fiel o treinador Ben Ettridge, a Austrália teve que jogar ao seu melhor nível para levar de vencida os norte-americanos que, ainda de orgulho ferido depois da derrota inaugural frente à Turquia, equilibraram o 1º quarto com mais crer do que saber. O base Jason Nelms (8 pts, 1 ressalto), com 4 pts, e o poste Joshua Turek dando um contributo de 5 pts, permitiram aos EUA espelhar, no marcador, uma proximidade (13-12) que, na realidade, não existiu.

Alentados pelo resultado, os norte-americanos encararam o 2º período de forma determinada e viraram o encontro várias vezes a seu favor, mas Tristan Knowles (11 pts, 5 ressaltos e 1 roubo de bola), Justin Eveson (15 pts, 16 ressaltos, 9 assistências), Shaun Norris (16 pts, 5 ressaltos e 4 assistências) e Bradley Ness (13 pts, 2 ressaltos, 1 assistência e 1 roubo de bola) estavam de pontaria afinada – só o primeiro teve uma % de lançamento abaixo dos 50% - e rapidamente embargaram a esperança dos rivais, construindo uma vantagem para o aussies de 7 pontos. O placar marcava 27-20 ao intervalo.

Após o descanso, a resistência americana dissipou-se e o treinador Jim Glatch, plácido no banco como se a cura para os males da equipa estivesse ao virar da esquina, não descobria o antídoto na defesa, já que os jogadores interiores australianos representavam o mesmo perigo dentro e fora da área restritiva. Joseph Chambers (6 pts, 2 ressaltos e 1 assistência), o imponente poste norte-americano, ia adiando o inevitável e somava 4 pontos à contagem. No entanto, a superioridade pontual dos australianos dilatou-se e, à entrada do último período, a diferença entre os conjuntos era de 12 pontos.

A história do jogo já estava escrita, o dia não era dos americanos. Contudo, a derrota é um pensamento proibitivo na cabeça de qualquer treinador e causou estranheza o 5 colocado em campo pelo técnico Jim Glatch, ao longo do 4º parcial, ao prescindir de todos os jogadores interiores sem razão aparente. A consequência não foi menos catastrófica do que nos outros períodos e quando soou o apito final, a distância pontual para a Austrália era de 16 pontos – 65-49.

Outros jogos

O conto de fadas espanhol continua. Desta vez, os comandados de Oscar Trigo bateram a Turquia por 67-64 num jogo emotivo e de nervos aflorados. Patrick Anderson voltou a ser gigante na vitória canadiana diante da Alemanha (73-66) e a Grã-Bretanha arrecadou o segundo triunfo por números expressivos frente à Polónia – 87-58. Alemanha, Canadá, Polónia, Austrália, EUA, Espanha e Turquia estão apurados para os quartos-de-final; Japão e Grã-Bretanha discutem a última vaga amanhã, ainda que a derrota possa servir aos anfitriões.

No torneio feminino, estão já encontradas as 8 equipas que irão disputar os quartos-de-final. São elas Austrália, Holanda, Canadá, Grã Bretanha, Alemanha, EUA, China e México. De fora, ficam França e Brasil. No dia 4 da competição, a Austrália venceu a Holanda por 58-49, o México assegurou a passagem batendo a França (50-42), enquanto as alemãs são a única equipa invicta depois de hoje terem superado a China por 56-50.

Jogos em destaque no dia 5

Masculino

Espanha-EUA – 21:15
Japão-Grã-Bretanha – 15:15

Feminino

EUA-China – 13:00

domingo, 2 de setembro de 2012

Rollers demasiado fortes para espanhóis carimbam passagem aos quartos



Foto: Basketball Australia
Como se previa, a Espanha foi ultrapassada por uma Austrália que não é do seu campeonato. Uma entrada de rompante na partida proporcionou aos australianos uma vantagem que chegou a ser de 12 pontos no 1º período. 

E se na defesa a armada espanhola acabou por conseguir manietar o caudal ofensivo dos detentores do título olímpico, com Shaun Norris (25 pts, 6 ressaltos e 5 ast) e Justin Eveson (17 pts, 8 ressaltos, 7 ast e 1 roubo de bola) endiabrados, cedo a Austrália compreendeu que a debilidade do conjunto europeu residia no ataque.

Diego de Paz Pazo, Alejandro Zarzuela e Garcia Moreno eram os rostos do desacerto com percentagens de concretização embaraçosas na equipa comandada por Oscar Trigo. Ainda assim, os espanhóis reduziram para 5 a diferença, muito por culpa de Asier Garcia Pereiro que saltou do banco (6 ressaltos, 2 ast e 1 roubo de bola) para anotar 6 dos seus 23 pontos nos últimos cartuchos do 1º quarto – 15-25.

A entrada do poste que serve as cores do CID Casa Murcia Getafe também trouxe agressividade e centímetros à defesa espanhola, todavia incapaz de sorver os recursos ofensivos dos australianos, seguramente a selecção que melhor alia virtuosismo com trabalho em equipa no torneio paralímpico. O começo do 2º período voltou a fazer sonhar os espanhóis que, por meio do base Munio Gamez numa situação de 2+1 seguida de mais 2 pontos de Garcia Pereiro, igualaram o marcador a 20.

Contudo, e sem trair os seus fundamentos, os Australianos sacudiram a pressão adversária através de um parcial de 9-0, com Norris a anotar os 9 pontos. Depois, em piloto automático, os campeões paralímpicos geriram o ritmo do encontro, beneficiando de um banco abundante em qualidade e de uma harmonia dentro de campo que só se atinge pelos muitos anos de entrosamento. Igualmente notável a prestação dos jogadores de pontuação baixa* aussies, em particular Michael Hartnett, um autêntico guerreiro a abrir caminho para os bombardeiros da sua equipa. Resultado final: 75-59. A Austrália está nos quartos de final. 

Parciais

20-15
24-12
16-23
15-9

Outros jogos

No dia de hoje, de salientar na competição masculina o apuramento do Canadá que vergou a Polónia por 83-65. Patrick Anderson brilhou novamente ao amealhar 34 pontos, 9 ressaltos, 12 assistências e 3 roubos de bola. Os alemães também celebraram a conquista de uma vaga nos quartos-de-final, superiorizando-se ao Japão, numa partida em que os nipónicos foram resilientes e só claudicaram já a meio do 4º período.

Falando no feminino, as americanas garantiram a presença nos quartos, batendo o México – 67-33, enquanto as britânicas arrecadaram o primeiro triunfo, sobre o Brasil por 42-37. No duelo mais aguardado da jornada, o Canadá venceu a Austrália – 57-50. China e Alemanha estão na próxima fase. As germânicas ganharam por 76-32 à França e as chinesas, embora tenham folgado esta jornada, selam a passagem aos quartos fruto da vantagem no confronto directo com o México.

Jogos em destaque no dia 4

Masculino

Alemanha-Canadá – 20:15
Austrália-EUA – 19:00
Espanha-Turquia – 20:45

Feminino
Alemanha-China – 10:45
Holanda-Austrália – 21:15

* No basquetebol em cadeira de rodas, cada jogador é classificado em função da sua deficiência entre 1 e 4.5. O somatório dos 5 jogadores em campo não pode exceder os 14 pontos. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Show de Anderson arrasa britânicos; germânicas vencem as campeãs em título


Foto: International Paralympic Committee
Uma nota a reter deste 2º dia de competição em Londres: Patrick Anderson está num nível estratosférico. Na sua quarta participação em Jogos Paralímpicos, o craque canadiano demonstra que a idade não passa por ele e com tamanhas prestações nem o excesso de veterania da equipa parece ser obstáculo para a chegada às medalhas. 

Frente a uma Grã-Bretanha disposta a redimir-se do desaire na ronda inaugural, os canadianos entraram determinados, montando uma defesa pressionante a todo o campo, mas os anfitriões castigaram a ousadia forasteira concretizando jogadas de ataque rápido com Simon Munn em bom plano ao anotar 5 dos seus 7 pontos. A réplica  dos europeus foi sol de pouca dura. 

Ao contrário do que sucedera contra a Alemanha, faltou estro e serenidade a Terry Bywater no ataque ao cesto, não sendo por isso uma surpresa os escassos 3 pontos alcançados pelo extremo dos Sheffield Steelers. Já Jon Pollock (8 pts, 4 ressaltos e 4 ast) -  que se descreveu em entrevista ao "Telegraph" como um rotweiller zangado, dentro de campo - não "mordeu" tanto quanto a plateia do North Greenwich Arena desejaria, o que se reflectiu, muitas vezes, no desnorte dos seus companheiros. Ainda assim, foi JP quem mais remou no 2º tempo para a reviravolta ao concretizar 2 lançamentos triplos, a sua arma predilecta, e um de dois pontos, colocando os britânicos a 7 – 29-34 ao intervalo.

Só que o dia era de Patrick Anderson. Quebrando o momentum do adversário, Anderson exibiu-se de forma sublime, indiferente à hostilidade do público, justificando o rótulo de lenda com assistências primorosas, dribles que desafiam os cânones, lançamentos de sucesso improvável e sobretudo um crer inexorável em perseguir a vitória. Resultado: 29 pontos, 14 ressaltos, 10 assistências e 3 roubos de bola. E nada mais há a dizer. Neste jogo, coexistiram dois espectáculos: o de Patrick Anderson e o dos seus colegas de ofício. Também é assim na modalidade. Há uma era antes e depois de Anderson.



Foto: International Paralympic Committee
Na competição feminina, a Alemanha pôs fim ao registo imaculado das norte-americanas que não perdiam desde Atenas 2004, num jogo em que o equilíbrio foi uma constante.

Após um começo titubeante de ambos os conjuntos, finalistas em 2008, a Alemanha tomou as rédeas, aproveitando os espaços concedidos pelas americanas que forçavam a recuperação de bola através de pressão a campo inteiro. A base Annika Zeyen (11 pts, 3 ressaltos, 6 ast e 1 roubo de bola) e Edina Mueller (10 pts, 3 ressaltos, 1 ast e 1 roubo de bola) foram as que melhor capitalizaram os deslizes defensivos das actuais detentoras do título.

Do lado americano, Rebbeca Murray (10 pts, 5 ressaltos, 7 assistências e 1 roubo de bola), no tiro exterior, e Desi Miller (12 pts, 7 ressaltos, 1 ast e 1 roubo de bola), na área pintada, contestavam o ascendente bávaro. No final do 1º período, o marcador assinalava 17-13 favorável à Alemanha.

A agressividade defensiva viria a ser decisiva ao longo encontro e deu frutos para as germânicas, no 2º parcial, que obrigaram a selecção americana a esgotar os 24 segundos sem conseguirem armar o lançamento. Ainda assim, o período foi ganho pelos EUA que lograram o empate – 23-23. A liderança mudou de mãos 7 vezes na segunda parte até que a capitã Marina Mohnen desequilibrou a contenda, pois, só no último quarto, marcou 9 dos seus 15 pontos.

Outros jogos


A Espanha prossegue a boa campanha, tendo derrotado a África do Sul por 74-50. No Itália-EUA, a vitória sorriu aos americanos – 77-51, enquanto a Austrália suou para bater a Turquia por 71-64. No lado feminino, a Austrália venceu a Grã-Bretanha (51-24) e o Canadá foi superado pela Holanda – 59-70.

Jogos em destaque no dia 3:

Masculino

Austrália-Espanha
Turquia-Itália

Feminino

Canadá-Austrália